domingo, 30 de janeiro de 2011
Baarìa - Giuseppe Tornatore (2009)
Originalmente postado em: inferno-dantesco.blogspot.com/
Não entendo por que tanta gente está reclamando deste filme do Tornatore. Superem "Cinema Paradiso", pessoas, e vamos parar com as comparações.
Concordo, não há um aprofundamento no vínculo telespectador-personagem, e isso faz com que não nos identifiquemos com o drama. Mas espera aí, será que é o personagem (menino-homem) com quem devemos nos identificar? Creio que não. Essa não é a história de um herói. É a história de uma cidade, de um povo, de uma época. Contada tão singelamente que transcende a autobiografia de Tornatore e nos traz uma realidade próxima a nossa. Por que dizer logo de cara que a maneira rápida e saltada de contar a história e as elipses plásticas e dramáticas tão bruscas são erros do diretor? Não seria o voo do garoto no início do filme o nosso voo pela história que o filme conta?
Não quero falar em certezas, porque muito fica em aberto nesse filme. Você pode escolher onde se inicia o sonho. No entanto, como diz o garoto no filme "Mas pra ficar rápido, a mosca tem que morrer?". Não, ela não tem que morrer. E esse é um jogo simbólico extremamente importante para o significado artístico do filme.
Com as ricas incertezas, ainda ficam na memória os bélissimos planos que embelezam as paisagens secas, os diálogos inocentes, a atuação dos jovens e dos velhos. Fica o filme na memória. Porque Tornatore não fez um Cinema Paradiso 2 para nós, amantes do título, mas fez o que queria, e muito bem feito.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Cape Fear - Martin Scorsese
[Demorei muito para escrever aqui, mas agora tenho tempo sobrando. Espero agradar]
Sinopse: Max Cady (Robert De Niro), um estuprador condenado, liberado da prisão após 14 anos de sentença cumpridos, persegue a família do advogado que o defendeu.
Scorsese é um dos grandes nomes do cinema. Fez grande sucesso nos anos 70 com "Taxi Driver", continuou nos anos 80 com os conhecidos "Raging Bull" e " The Last Temptation Of Christ". "GoodFellas", "The Departed" e o recente "Shutter Island" também levam seu nome. Pronto. Alguns de seus principais filmes podem guiar para uma melhor visão daquilo que "Cape Fear" representa.
Interessante notar como o Scorsese gosta de trabalhar um tema constante: as formas que o "mal" adentra a sociedade. Nessa trama de suspense criada na linha de Hitchcock, como muitos filmes do Scorsese são, a trilha é usada narrativamente de uma forma incrível. Sempre apoteótica, no último volume, o suspense grita no ouvido do telespectador a cada instante do filme. De Niro representa seu papel de maneira divina. Com um certo sotaque no inglês, o corpo todo tatuado e aquele olhar de algoz com texto maravilhoso, ele é o vilão perfeito para o filme. Sam Bowden (Nick Nolte) e Leigh Bowden (Jessica Lange) não deixam a desejar. Se precisavam demonstrar o medo que uma família sente ao saber que está sendo atacada sem defesa, eles o fazem primordialmente. Danielle Bowden (Julliete Lewis), filha do casal, pessoalmente, conseguiu me encantar. Sua personagem carrega quem assiste para onde ela quiser, seja na menina inocente que se envolve com De Niro como forma de provocação e rebeldia, seja quando, como a família, sente o medo à flor da pele. O título do filme, a priori, parece vago/abstrato (só parece), mas quando esse cabo (Cape) se rompe, não há previsão para as consequências.
Um filme genial em todos os aspectos. O medo presente do começo ao fim, repleto de frases incríveis como "There is nothing in the dark that isn't there in the light. Except fear". Planos lindíssimos, sequências impecáveis... sem dúvida, recomendável.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Harold and Maude (1971)

Eu juro, não corro atrás de comédias românticas, mas elas me seguem. O melhor, pelo menos, é que muitas são boas. Há muito o que falar deste filme: Ensine-me a Viver (no original: Harold & Maude).
Sou apenas um ufanista. Não sou capaz de avaliar atuação, não imagino o que seja fotografia, assisto até o fim dos créditos, mas não decoro o nome da maioria. Sei, entretanto, apreciar uma boa história e aquilo que absorvi é o que me acrescentará como pessoa. É disso o que falarei de Ensine-me a Viver
Falo sobre a história? Sobre o que aprendi com ele? Sobre algumas curiosidades?
O que acho curioso é como eu o descobri: recomendação de uma garota em um episódio de Anos Incríveis. Era um episódio que eu já havia visto, mas não dei importância na primeira vez. Agora foi o momento certo.
Harold, interpretrado por Bud Cort, é um garoto com seus dezesseis anos e de personalidade excêntrica. Um de seus hobbies é participar de funerais, parece gostar do que a morte representa. Tem dificuldades em se relacionar com as pessoas sem mostrar desprezo pelas coisas vivas. Sua mãe é transtornada pelas atitudes do filho, com certa razão: um dos divertimentos de Harold é criar falsos suicídios em uma tentativa de espantar pelo grotesco.
Ele prefaz o estilo de vida gótico, hoje tão esteriotipado. Só não é melancólico.
Entre um funeral e outro, Harold avista Maude, personagem de Ruth Gordon. Simpática, Maude é uma mulher de setenta e nove anos, toda autêntica, espontânea, canta e dança cheia de energia. É o oposto de Harold, não deixa nada guardado, não tem medo do mundo, se garante sem problemas.
A história segue em torno da compartilha entre os dois. Trocando experiências, um ensinando e o outro aprendendo. Mostra a importância em conhecer, experimentar todas as coisas do mundo. "Nos deram uma vida inteira só para ser explorada".
Os dois se apaixonam, e a diferença de idade é o suficiente para a sociedade; tanto da época quanto a atual; olhar com desgosto. Eles não se importam nem um pouco. Amor não tem idade.
Todas as pessoas que eu conheço tendem a glorificar os filmes que mais se identificaram. Não é regra geral, mas é um fator muito importante. Comédias românticas têm muito disso. Situações diversas, criadas pela nossa singularidade enquanto pessoas diferentes, mas que encaixam no enredo. Com Ensina-me a Viver foi um pouco diferente. Tive a oportunidade de conhecê-lo em um momento neutro. Não vivo um momento em que eu sinta amor parecido a outra pessoa, assim como nunca vivi uma relação com diferenças de idade tão grande (o máximo foi dez anos de diferença), nem me identifico com o personagem. Foi a forma mais pura de avaliar um filme, pois o que se obtém é a essência. Não busquei nele uma solução para meus momentos de garoto apaixonado.
Esse filme mostra a importância de um relacionamento, da cumplicidade com alguém. Não se convive por atração, se convive pelo que se vive. Uma pessoa com dez ou uma pessoa com noventa, não deixa de ser uma pessoa, e é isso o que importa. É importante é não morrer enquanto vive, mas também é essencial saber começar a viver.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Hotel Atlântico
Procurei alguns trailers, mas todos eles diziam de mais.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Tarnation e 3 anos de fantasia
sábado, 14 de agosto de 2010
Gigantic
Gigantic
Quando assisti a esse filme, não sabia nada além de ter sido estrelado pela atriz Zooey Deschanel (meu grande ídolo). Comprei a ideia por isso, e teria comprado pelo trailer também. É todo animado, envolvente, nos passa uma ideia de um romance divertido, com sacadas sutis e de uma delicadeza admirável. Até mesmo o Paul Dano, que faz nesse filme o papel de Brian (fofocarei sobre o enredo abaixo), no seu jeito Geek Nerd Esquisitão está cativante. Eu, que não assisti ao trailer antes, comecei o filme animado, inclusive pela participação do John Goodman, que ao longo da carreira construiu uma persona tão caricata e impossível de não ser notado. Contudo, o dinamismo do trailer fica meio esvanecido durante o filme. É bem tranquilo, quase calmo demais.
Conta a história de Brian, atuado por Paul Dano (você o viu em Pequena Miss Sunshine), um garoto com um trabalho agradável de vender colchões, que está há algum bom tempo tentando adotar uma criança. Uma criança da China, para ser mais exato.
O elenco é invejável. No filme ela é filha do John Goodman (fiquei feliz sabendo que ele ainda está atuando), e ele de Edward Asner (a voz do Carl Fredricksen, de Up) e Jane Alexander.
Gigantic pecou um pouco na hora de mostrar ao público o que queria. Há várias sequencias onde um mendigo ataca o Brian, sem motivo algum. O que devo esperar em relação a isso? Alguma crítica do diretor? Alguma forma profunda de personificar os conflitos internos do garoto? Isso fica e depois do filme ficamos pensando sobre o assunto. Enquanto não soubermos a verdadeira intenção, sempre irá parecer que falta alguma coisa.
O filme é bom, vale os seis pontos do imdb. O trailer consegue trazer uma espectativa bem grande e ela poderá ofuscar a beleza tênue desse bom filme.
Tomo a liberdade de fazer uma pergunta: Por que o Brian queria tanto adotar uma criança especificamente chinesa? Por que não apenas uma criança, independente da etnia?
Enfim, esse e mais alguns outros são os buracos que, não digo cair, mas fizeram Gigantic tropeçar e depois olhar para os lados envergonhado, torcendo para ninguém ter reparado.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Withnail & I

Withnail & I (1987)
Um daqueles filmes que você se arrepende por não ter conhecido antes. Clássico do cinema inglês, Withnail e "eu" conta a história de dois atores fracassados que se entopem de bebidas e qualquer outro líquido que, cansados da vida medíocre que levam, fazem uma fuga à realidade, rumo ao interior.Os dois vão para a cabana do tio Monty (Richard Griffiths, de Harry Potter), o que acaba não sendo uma boa ideia.
Com toque leve de humor, esse filme é uma boa pedida.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Shaun of the Dead
Mais que uma simples sátira, é uma comédia que homenageia filmes do gênero de horror. É inteligente, possui características próprias, abusa das referências internas, conectando falas e situações que trazem o riso por todo o filme.
Engraçado, bom até para quem nunca se interessou por filmes de terror. Indicado para quem goste de comédia e se sinta ofendido com as comédias sem valor.
Algumas cenas são inesquecíveis. A luta com o dono do bar é uma das mais engraçadas que eu já pude ver. Os cortes entre cenas da tv, os comentários soltos, são todos detalhes que aumentam a experiência do filme.
Conheci Simon Pegg por esse filme. O vi novamente em algumas outras comédias gostosas, mas nada foi mais divertido quanto Shaun of the Dead.
Os atores não são tão conhecidos. Com exceção do Bill Nighy é normal ver apenas rostos novos.
Foi o primeiro da trilogia não relacionada entre ele e o diretor, Edgar Wright. O segundo filme chama-se Hot Fuzz e você percebe as semelhanças logo de cara. Principalmente por conter praticamente o mesmo elenco. O terceiro está para sair.
Talvez nem todo mundo se mate de tanto rir como fiz, mas é diversão garantida, mesmo sem precisar ser um filme de sessão da tarde.
E não se preocupe se se sujar de vermelho.
Algumas observações interessantes:
- Simon Pegg fez um filme com David Schwimmer (o Ross, da série Friends) chamado Big Nothing. Essa parceria rendeu, no ano seguinte, um filme escrito por Simon e dirigido pelo David.
- O diretor de Shaun of the Dead dirigiu outra comédia chamada Hot Fuzz. O melhor amigo de Shaun é, nesse outro filme, o parceiro do personagem de Simon.
- No filme não é aconselhado usar a palavra zumbi para citar os infectados, nem "balas" para se referir à munição da arma. É uma homenagem aos filmes antigos de zumbis que raramente usavam essas palavras.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Up in the air - Amor sem escalas
Lembro que quando lançou Up in the air nos cinemas fiquei bem curiosa para ver, mas quando fui ver os horários não permitiam, e meio que deixei para lá, mas de certa forma acabou voltando a curiosidade que só foi consumada hoje, e acredito nessa coisa de momento certo, é brega, eu sei.
Em Amor sem escalas (eu realmente não gosto do nome em português), George Clooney é Ryan, um destes tipos desapegados, o trabalho dele é viajar para demitir pessoas, não tem muito tempo para família, e muito menos para pensar em montar uma. Nestes vai-e-vem pelos EUA, ele conhece Alex (Vera Farmiga), alguém tão desapegado quanto ele, mas do lado feminino da coisa, e até aí, todo mundo imagina mesmo o que acontece.
Mas Natalie(Anna Kendrick) aparece na empresa dele com uma idéia maluca que pode ajudar a cortar gastos e evitar esse ir-e-vir para demitir pessoas, e é quando o filme fica realmente bom, e eu paro de contar.
Jason Reitman também fez "Juno","Obrigado por fumar" e "Garota Infernal", parece ser alguém que promete coisas boas, e que já fez algumas também.
Boa trilha sonora, um filme que quero assistir de novo e quero comentar com todos.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Linha de Passe
Cidade de São Paulo, vinte milhões de habitantes, duzentos kilometros de transito...caos.
Cleusa, mãe solteira de quatro filhos esperando o quinto, cada um de um pai, trabalha como domestica em uma casa da classe média.
Cada filho representando uma história distinta que acontece em Sampa todos os dias.
Dario, sonha em ser jogador de futebol, Dinho, frentista de um posto de gasolina, se converteu pra igreja evangélica, Denis é motoboy e tem um filho que mora com a ex namorada e Reginaldo, o caçula, procura pelo pai nos ônibus da cidade.
Um filme de tanta verdade que até machuca, ele é verdade em cada cena, gesto e em cada dialogo, não há mentira, nem exagero, é a vida pela vida, dentro do caos e da intensidade da maior cidade do hemisfério sul.
Aborda diferentes temáticas dentro de uma única cidade, é um retrato fiel da vida paulistana das regiões perfiféricas, que nos leva a refletir, questionar e entender a problematica social dentro dessa megalopole.
Senti-me revendo muitas cenas da minha própria vida e de tantas vidas que passaram por mim, um filme que faz doer, aquela dor necessária que transforma e nos faz querer transformar, mas que também nos amarra pela sensação de impotência e impassividade.
É por fim um filme, com luz a um trecho da entrevista com o diretor, Walter Salles, sobre a obra, que nos faz desarmar de julgamentos, tentar enxergar o ser humano por trás daquele que rouba, daquele que prega, daquele que grita, daquele que mente, daquele que sofre.
A vida vai muito além das noticias nos jornais.
sábado, 22 de maio de 2010
Sympathy for lady Vengeance

Final da trilogia da vingança do diretor Sul-Coreano Chan Wook Park, famoso pelo quase adaptado por Steven Spielberg (isola) Oldboy.
Geum-ja Lee (nome maldito) é uma jovem que foi acusada de sequestrar e assassinar uma criança, ela é presa, assume o crime e vai para cadeia, o tempo passa e depois de 13 anos e meio ela é liberada querendo se vingar do culpado de seus sofrimentos(Wether seu gay, aprenda).
Chan Wook Park é o Tarantino da asia, explosão de ódio, violência crua e magnifica, regada a cultura popular e até pequenos questionamentos éticos, mas nada que o que o torne um Bergman. Sympathy for lady Vengeance ou no original "Chinjeolhan geumjassi", é a definição de uma estética que se tornou dominante aos atuais Trabalhos de Wook Park, diferente do também ótimo e visceral Sympathy for mr. Vengeance que possui uma fotografia crua, ritmo mais crível e levantamentos e reflexões mais sucintas, Lady Vengeance é mais poético, de uma fotografia mais apaixonada, próxima aos trabalhos do Francês Jean-Pierre Jeanet, extremamente saturada, cheia texturas, possuidora de uma ambientação visual que nos evoca sensorialmente o expressionismo, pois toda a ambientação, ângulos, tomadas, e cortes casam com a situação emocional que se passa. O ritmo é tarantinesco, explosivo e contido por mais contraditório que isso possa parecer, isso tudo é muito bom.
Se Oldboy foi com certeza um ponto de virada no trabalho do Coreano Wook Park, Sympathy for lady vengeance, com sua direção magistral, é uma espécie de coroação dessa nova estética, para mim com certeza algo positivo.
Manhattan

Issac é um medroso, Yale um sádico traidor, Mary é uma masoquista com uma incapacidade para ser feliz, Emily uma esposa agradável e trouxa, Tracy uma menina apaixonada, com toda carga de imbecilidade que isso acarreta.
Allen seu safado.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Mary and Max

Nas últimas semanas muitas pessoas diferentes vieram me falar desse filme. Um amigo distante, um amigo perto, a chefe, ouvi até por aí ser um top five de uma outra pessoa. Fiquei frustrada quando vi que só tem no Belas Artes em São Paulo, nada perto, e com os meus horários cada vez mais apertados, tive que assistir em casa mesmo. Adoraria ter visto no cinema.
Não que a obra não tenha perdido o encanto. Tantos adjetivos: delicado, detalhista, ao mesmo tempo que pesado e profundo, depressivo, mesmo que engraçado. Uma obra completa, as vozes, tanta coisa! É tanta coisa para prestar a atenção e se maravilhar, não tem como não mergulhar de cabeça e não ficar imerso em dois mundos, um sépia e um cinza.
Mary é uma garotinha de oito anos, que foi ousada mandando uma carta para um desconhecido de Nova Iorque que ela pegou da lista telefonica no correio enquanto a mãe 'emprestava' envelopes'.
E não conto mais, não quero contar!
Tem que assistir!
O jeito como o filme trata a amizade, deixando de lado outros apegos que sempre se acha em um filme, tão diferente.
Mais um novo diretor arrasando. Esse tem cheiro de camarão, certeza.
sábado, 17 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Blow Up - Depois daquele beijo - 1966

Quando alguém fala de Antonioni, de Fellini, de Bertolucci e Truffaut para mim, eu me pego em uma aula do Rubens, professor da Oficina de cinema que eu fiz em 2006 aqui perto de casa. Ele falava deles como se fossem reis, falava com gosto e com paixão. E sim, sentimentos transferíveis. Não foi fácil aquela oficina. Confesso, dormi em vários filmes, mas alguns foram suficientes para entender o movimento, para entender qual era a dos caras.
Depois de ficar um certo tempo sem contato com eles (tirando o fantabuloso Truffaut), assisti Blow Up, que era um título que vagueava na minha cabeça de tempos em tempos.
E sabe, aquela sensação de nostalgia? É, é isso. Fico pensando o que eu acharia dos filmes se não tivesse feito a oficina, se não tivesse parado para estudar ou entender. E sim, acharia pouca coisa.
São filmes díficeis. Diferentes. Mas, assim que você se acostuma e os entende, se tornam adoráveis.
É assim que o justifico o meu "adorei Blow Up" , rs. Vamos ver se eu ainda continuo com alguma moral.
E eu gosto muito da atenção que esse cinema dá para as mulheres. Um detalhe, que queria comentar.
Assistam e me contem!
quinta-feira, 11 de março de 2010
Waking Life (2001) - Richard linklater
Waking Life é, na minha opinião, daqueles filmes onde a história não tem função alguma, a não ser servir como teia para diversos temas abordados, não que isso seja ruim, é até agradável, acompanhamos nosso personagem sonhador em suas viagens através desse universo procurando acordar, enquanto lida com diversas personalidades e questões da vida (lembra um pouco nossa existencia real, não?). Aborda-se tudo, existencialismo francês, religião, democracia, revolução, ativismo, arte, realidade, linguagem e seus signos, há até mesmo metalinguagem, com o filme falando de filme, e por ai vai a se perder de vista.
Quem já viu MindWalk do Bernt Amadeus Capra, vai estar acostumado com o andamento do filme, são discursos e levantamentos filosóficos, que num documentário ficariam sendo pedantes e massantes demais, se apoiam na obra ficcional para se tornarem mais amenos. Não que isso torne o filme chato, não, Linklater que provavelmente estava entediado depois de gravar o mediano, dispensável e agradável "Os irmãos fora-da-lei" e resolve fazer uma animação por rotoscopia, gravando todas a cenas e depois desenhando insanamente frame por frame por cima delas. O resultado é impressionante, com o fundo se liquefazendo, o personagem mudando de aspecto, volume e forma de um instante para o outro, o que por si só já torna a obra bastante singular.
É com certeza um filme dos mais interessantes, que te faz pensar, já o vi ainda cinco vezes e creio que ainda o verei mais algumas vezes pela experiencia visual super alucinógena e pelos assuntos complexos que sempre necessitam uma revisita. Você vê de tudo, mito da caverna, crítica a intelectualização desmedida desprovida de ação, a rizomização da evolução humana, a automatização da experiencia de vida. Com certeza você pensara em trocar algumas palavras com desconhecidos na rua depois de ver esse filme.
Linklater nos mostra que se não é um sempre maravilhoso diretor ou um roteirista dos mais brilhante e eternamente inspirado, é alguém profundamente ligado as questão da humanidade, tanto contemporaneamente, quanto de modo universal.
Notas:
IMDB: 7.5
Rotten tomateos: 7.9
Boy Bobão: 8.0
Essa passagem é a minha favorita, digna dos escritos do Anarquista ontologico Hakim Bey. Agressivamente libertadora.
terça-feira, 9 de março de 2010
Almoço Nu - Naked Lunch (1991)
Em misto de livre adaptação e obra biográfica do autor do romance, somos jogados no meio de uma obra densa em um ritmo frenético, doentio, é impossível sentir-se confortável enquanto observa. Elementos cuspidos em nossa direção em violenta profusão, regados a alucinações, paranoias, vícios e música atonal.
A história é a de Bill Lee, interpretado por Peter Weller, exterminador de insetos, que incentivado pela própria esposa viciada em inseticida, interpretada por Judy Davis, vicia-se também, após Bill matar sua mulher brincando de Guilherme Tell, é jogado em meio a sua escrita e (aqui somos forçado a livre interpretação)uma conspiração de insetos e criaturas bizarras.
A montagem é de um ritmo irregular, com instantes onde os cortes mais lembram uma apresentação de slides para pouco depois haver câmeras contemplativas que parecem ter inspirado Gus Van Sant. O roteiro vai acelerando em desacelerando constantemente, certamente não há um ápice, há vários, regados reviravoltas esquizofrênicas, fazendo nos sentir em algum brinquedo de parque temático, jogados de um lado a outro.
A fotografia suja, típica da obra de Cronenberg, que flerta hora, com o cinema Noir, hora com uma estética kitsch digna do anos 80, casa quase em simbiose com o ar junkie de vícios, excrementos e promiscuidade, onde até maquinas de escrever gozam no êxtase do escrever.
As interpretações se não são brilhantes, fazem sua parte, para que a mente criativamente caótica de Cronenberg casada com Perversidade, esquizofrenia e decadência moral da obra de Burroughs brilhem.
A trilha sonora, puramente jazzistica, digna dos beatniks, feita Ornette Coleman, que ajuda com enorme eficiência no clima denso, irreal e desconfortável, é um caso a parte, só não recomendo que a baixe para ouvir, ou talvez você seja sádico.
Para quem leu o livro, é imperdível ouvir da própria boca de Bill Lee, o conto do homem que ensinou o cu a falar, entre outras passagens memoráveis do romance.
Notas
IMDB: 6.8
Rotten Tomateos:6.7
Boy Bobão: 7.5
Para quem não sabe, me chamo Felipe, sou um amigo da Isa, Gosto de perversidade, estranheza e pretensão, esperem de mim filmes ruins com doses de pretensão artística e elementos praticamente dadaistas e surreais.
segunda-feira, 1 de março de 2010
A primeira noite de um homem
É o caso do Dustin Hoffman em A primeira noite de um homem. Que filmão! Acho que foi a terceira vez que eu assisti, mas todas as outras vezes eu devia estar com sono e não percebi quão fabuloso ele é.
Mike Nichols (que dirigiu "Closer" também) começou bem, viu.
Benjamin Braddock acaba de sair da faculdade, e durante uma festa de comemoração dos pais na sua casa que ele não está nenhum pouco interessado, a esposa do sócio do pai dele o intimida a levá-la para casa. Como um bom rapaz, ele o faz, e a mulher não perde tempo. Mas Ben não se interessa, ou talvez fique muito nervoso com a situação, e vai embora, assim que o marido dela chega à casa.
Arrependido, ele liga para ela dias depois e eles marcam um encontro. Um caso um tanto bizarro começa a acontecer, mas o que nenhum dos personagens esperava aconteceu: Ele se apaixona pela filha da mulher.
Lindo, lindo!
E claro, a trilha de Simon & Garfunkel não tem como não adorar.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
(500) days of Summer
Quando eu termino namoros, e este foi o caso de ontem, eu me afasto de coisas como comédias românticas, de músicas pops, de cartões com mensagens bonitas. Mas hoje eu interrompi minha terapia, fui até lá, escolhi um filme da minha lista e falei: Eu sou forte (me imaginando chorando descabelada logo depois do filme- esse masoquismo acontece), vamos ver essa tal comédia-romântica.
E foi muito bom terminar o filme sorrindo, aliviada em vez de culpada, tranquila! E o mais incrível é que acontece porque você entende o filme. O filme te entende. É delicado, é uma dessas coisas que dá vontade de tocar, de fazer parte. Porque é a idéia mais longe de idealização e mais perto de idealização que se projetaram nos meus olhos. É o filme que eu queria ter feito.
Eu recomendo esse filme fortemente, de verdade. Qualquer ser humano que se pergunta o que raios essas músicas todas querem dizer e porque "Love" está estampado em todos os lugares, tem que assistir esse filme.
E favorito a cena do elevador, do Smiths. Uma das minhas cenas preferidas mesmo.
Simplesmente não tem como não gostar... qualquer pessoa que vir falar mal dessa obra de arte para mim, eu vou simplesmente desconsiderar essa pessoa como pessoa.
Rs, sério. Este ano minha cabeça explode de tanto filme bom que venho assistindo.





